Pular para o conteúdo principal

Os Sapatos Mágicos

12 min de leitura
Idades 6-12
Loading views...

por Vovó Hilda

Conto Curto

Era uma vez uma menina muito bonita e muito humilde que ia feliz à escola, ainda que usasse sempre a mesma roupinha.

Esta é a história de um par de sapatos rotos, de uma mãe que não tinha dinheiro, de um sapateiro que tinha outra coisa muito mais valiosa, e do dia em que uma menina de doze anos descobriu que a magia existe, embora quase nunca esteja onde a gente vai procurar.

Capítulo 1: A Menina da Bolsa de Pano

Camila tinha doze anos e morava numa casa pequena, no fim de uma rua tranquila, com sua mãe, dona Ana, e sua irmãzinha Lorena, de apenas seis aninhos.

Na escola dela não se usava uniforme. A maioria dos pais se esforçava muitíssimo para dar o melhor aos filhos e, por isso, no pátio via-se tênis novo, mochila colorida e jaqueta de marca.

Camila ia todos os dias com a mesma roupinha: uma calça azul de veludo cotelê, uma blusa branca e um colete preto. Tudo muito limpo e bem passadinho, porque a mãe lavava e passava todas as noites, depois do trabalho, para que as filhas nunca saíssem desarrumadas à rua.

Sua mochila era uma bolsa de pano que dona Ana havia costurado à mão, com uma flor bordada num canto. Dentro, Camila levava todos os seus cadernos, encapados e bem cuidados, organizados por matéria, escritos com uma letra clara e uniforme que as professoras sempre elogiavam.

—Camila, seu caderno parece um livro —dizia a senhorita Luisa.

E Camila ficava vermelha de felicidade.

Era uma excelente aluna. Destacava-se pelas boas notas e pela inteligência, mas sobretudo por algo que não aparece em nenhum boletim: era uma menina correta, educada e boa. Igualzinha à irmãzinha Lorena, que no primeiro ano já lia correntemente e cumprimentava todos os professores pelo nome.

Dona Ana não tinha muito, mas dizia sempre a mesma coisa:

—Eu não posso dar luxo a vocês, minhas meninas. Mas dou educação, limpeza e carinho. Com isso se chega a qualquer lugar.

Capítulo 2: Os Sapatos Descolados

Todos os dias Camila acordava muito contente.

Mas naquela manhã, enquanto se vestia, aconteceu uma coisa. Ao calçar os sapatos, notou que o direito estava estranho. Olhou de perto, e o coração apertou: a sola estava descolada na ponta, aberta como uma boquinha, deixando ver o forro de dentro.

Camila ficou um tempo sentada na cama, olhando para eles. Eram seus únicos sapatos. Já os tinha usado por dois invernos inteiros.

Por fim, levantou-se e foi até a cozinha.

—Mãe… olha. Meus sapatos rasgaram.

Dona Ana deixou a chaleira sobre o fogão, secou as mãos no avental e pegou o sapato. Virou-o. Apertou-o. E então suspirou.

—Hmmm, filha —disse, e naquele “hmmm” cabia tudo o que ela não queria dizer em voz alta—. É uma pena muito grande. Mas agora eu não tenho o dinheiro para te comprar outro par. Você vai ter que ir com os mesmos.

Camila viu o rosto da mãe. E entendeu, como entendem as crianças que crescem depressa, que não era falta de amor: era falta de dinheiro.

Então sorriu.

—Não se preocupe, mamãe —disse—. Eu mesma vou consertar. Vou pôr a cola que tenho para a escola.

Foi buscar a sua cola branca, a mesma que usava para colar recortes no caderno de história. Sentou-se no chão da cozinha com o sapato entre os joelhos, passou a cola com muitíssimo cuidado por toda a borda, apertou a sola com os dedos e ficou ali, contando baixinho até duzentos, sem soltar, para que grudasse bem.

Dona Ana a olhava da porta com os olhos brilhando.

Quando Camila terminou, levantou-se e deu uns passos pela cozinha.

—Ficou novinho! —anunciou, orgulhosa.

A mãe a abraçou forte, mais forte do que de costume.

—Obrigada, filha —disse-lhe ao ouvido—. Obrigada por não me fazer sentir mal.

Camila terminou de se arrumar, penteou a trança, pegou a sua bolsa de pano e saiu muito feliz, de mãos dadas com a mãe e com Lorena, a caminho da escola.

Capítulo 3: Um Dia na Escola

Na entrada estava a diretora, como todas as manhãs, dando as boas-vindas aos alunos um por um.

—Bom dia, Camila. Bom dia, Lorena.

Dona Ana abraçou as filhas e desejou muito sucesso a elas. Depois cumprimentou dona Luisa, a professora responsável pela turma, que também recebia os seus estudantes na porta da sala.

—Bom dia, meus pequenos. Como vocês estão? —dizia a professora.

—Bom dia, senhorita Luisa! —respondiam as crianças em coro.

—Entrem, entrem, não fiquem aí parados, que está frio.

Depois formaram bem organizados no pátio, cada turma na sua fila, e foram entrando nas salas. Os alunos se sentaram em seus respectivos lugares. Camila sentou-se no dela, ao lado de María, sua melhor amiga desde o primeiro ano.

—Você trouxe o resumo? —perguntou María baixinho.

—Óbvio —respondeu Camila.

Depois da chamada, a professora mandou que tirassem o livro de português.

—Hoje vamos ler em silêncio —explicou—. É uma leitura divertida, vocês vão ver. E quando terminarem, quero que escrevam um resumo com as suas próprias palavras. Com as próprias palavras, viu? Sem copiar do livro.

A sala ficou em silêncio, com aquele barulhinho macio de páginas virando. Camila leu rápido, porque adorava ler, e depois escreveu o seu resumo com aquela letra dela, redonda e uniforme.

Durante o dia tiveram outras matérias: matemática, ciências, história. Camila levantou a mão três vezes, e nas três vezes respondeu certo.

Estava tudo perfeito.

Até tocar o sinal do recreio.

Capítulo 4: O Recreio mais Longo

Camila ficou de pé, deu dois passos em direção à porta e sentiu: aquele bater mole no pé direito.

O sapato tinha descolado de novo. A cola não havia resistido a manhã inteira.

Ficou parada no meio da sala, com o rosto ardendo de vergonha. No pátio ouviam-se as risadas e os gritos de sempre, e ela pensava numa coisa só: se saísse assim, alguém ia reparar. E se alguém reparasse, iam rir dela.

María a esperava na porta.

—Vamos? —disse.

—Vai você —respondeu Camila—. Eu te alcanço.

Quando María saiu, Camila se aproximou da professora, que organizava uns papéis na escrivaninha.

—Senhorita Luisa… a senhora me dá licença para ficar aqui sentada no recreio?

A professora levantou os olhos e a observou com atenção.

—O que houve, minha menina?

Camila abaixou a cabeça e não disse nada.

—Camila —insistiu a senhorita Luisa, com voz suave—. Olhe para mim. O que está acontecendo?

E então os olhos de Camila se encheram de lágrimas.

—É que o meu sapato descolou —confessou num fio de voz—. Eu consertei de manhã com cola, mas soltou de novo. Tenho muita vergonha de sair assim. Não quero que os meus colegas riam de mim.

A senhorita Luisa deixou os papéis, contornou a escrivaninha e se agachou para ficar da altura da menina.

—Escute bem —disse—. Aqui ninguém vai zombar de você. E se alguém zombasse, quem ficaria mal seria essa pessoa, não você. Sabe por quê?

Camila balançou a cabeça.

—Porque um sapato roto se conserta em cinco minutos —disse a professora—. Já um coração ruim leva a vida inteira para consertar. E você, Camila, tem as melhores notas da turma, a letra mais bonita que eu vi em vinte anos dando aula, e é uma menina educada e boa. Isso vale infinitamente mais do que um par de sapatos.

Camila secou os olhos na manga.

—Agora bem —acrescentou a senhorita Luisa, ficando de pé—, se você quiser ficar aqui sentada neste recreio, fique, e não tem problema nenhum. Mas que seja porque você quer, e não porque está com medo.

Camila ficou. Tirou o caderno e desenhou um pouco, tranquila, enquanto lá fora os outros corriam.

E a senhorita Luisa, sem dizer nada a ninguém, tomou nota mental de uma coisa: precisava conversar com dona Ana.

Capítulo 5: Os Dez e o Sorvete

Chegou a hora de ir para casa.

Camila foi buscar a irmãzinha na sala do primeiro ano, pegou-a pela mão e saíram juntas até o portão, onde a mãe as esperava, como todos os dias.

As duas meninas correram para abraçá-la.

—Como foi, meus amores? —perguntou dona Ana.

—Muito bem, mamãe! —disse Lorena, dando pulinhos—. Eu tirei dez na prova de matemática!

—E eu tirei dez em português! —acrescentou Camila.

Dona Ana as parabenizou e abraçou as duas ao mesmo tempo.

—Olhem —disse—, hoje a gente vai fazer uma coisa.

Passaram pela loja da esquina, onde vendiam sorvete, e ela comprou um para cada uma. Não comprou nenhum para si, e disse que não estava com vontade, embora as meninas soubessem muito bem que estava.

—É um prêmio pelas boas notas de vocês —disse—. Vocês merecem.

E lá iam as três pela calçada, conversando e rindo, cada menina com o seu sorvete gostoso na mão, felizes como se o mundo inteiro lhes pertencesse.

Camila caminhava um pouco torto, poupando o pé direito para que o sapato não abrisse mais. Mas não reclamou nem uma vez.

Capítulo 6: A Porta de Seu Carlos

Quando estavam chegando à esquina de casa, passaram em frente à sapataria.

Era um lugar pequenininho, com cheiro de couro e de cola, cheio de formas de madeira e de sapatos esperando a sua vez nas prateleiras. Na porta estava seu Carlos, o sapateiro, um homem mais velho de mãos grandes e manchadas, com o seu avental de couro.

—Boa tarde, vizinha! Boa tarde, meninas! —cumprimentou com cordialidade.

—Boa tarde, seu Carlos —responderam as três.

Mas o sapateiro não voltou para dentro. Ficou olhando, e reparou no que vinha reparando havia dias: que Camila tinha dificuldade para dar o passo, que apoiava o pé direito de um jeito estranho.

—Oi, Camilinha —disse—. O que houve com os seus sapatos?

A menina ficou vermelha. Olhou para o chão. E depois, meio envergonhada, levantou um pouco o pé para lhe mostrar a ponta descolada.

Seu Carlos assentiu devagar, como quem confirma algo que já sabia.

—Entre, minha menina —disse, abrindo a porta—. Vou te mostrar uma coisa. Entre a senhora também, vizinha.

Dona Ana entrou com as filhas, surpresa, sem entender nada.

—Sente-se aí —indicou seu Carlos a Camila, apontando um banquinho de madeira.

Agachou-se, abriu uma gaveta embaixo do balcão e tirou uma caixa. Dentro, embrulhado em papel, havia um par de sapatos pretos, novos, costurados à mão, com a sola grossa e o couro brilhante.

—Experimente —disse—. Se ficarem bons em você, eu te dou de presente.

Camila arregalou os olhos.

—Como? —conseguiu dizer dona Ana.

—Fiz numa tarde, especialmente para ela —explicou o sapateiro, dando de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo—. Faz dias que eu a via passar por aqui e percebi que ela tinha dificuldade para andar com aqueles sapatos rotos. E eu tenho couro, tenho linha e tenho mãos. Teria sido um pecado não fazer.

Camila olhou para a mãe, sem se atrever a se mexer.

—Agradeça, filha —disse dona Ana, com a voz embargada.

Um pouco tímida, a menina tirou os sapatos velhos e calçou os novos. Afivelou-os. Ficou de pé.

Serviram perfeitamente. Nem apertados nem largos: perfeitos, como se os seus pés estivessem esperando por eles.

—Olhe —disse-lhe seu Carlos, agachando-se para ficar de frente para ela—, estes sapatos são muito especiais. Eu os fiz para você, na sua medida, porque você é uma menina muito boa e muito inteligente. E as coisas feitas para uma pessoa em particular nunca são iguais às que se compram em qualquer lugar.

Dona Ana, muito emocionada, procurava na bolsa.

—Quanto eu lhe devo, vizinho?

—Nada —disse ele, levantando a mão—. Não se preocupe. Isso eu estou dando de presente para a menina. Que ela cuide bem e aproveite, que é para isso que servem.

As três saíram da loja muito agradecidas. Camila abraçava a caixa com os sapatos velhos como se também fossem um tesouro.

—Que Deus o abençoe e multiplique o seu negócio, seu Carlos, pelo seu bom coração —disse dona Ana da porta.

O sapateiro sorriu.

—Olhe, vizinha: quando eu era pequeno, um homem que nem sabia o meu nome me deu os meus primeiros sapatos de trabalho. Nunca consegui pagar a ele. Então, enquanto eu puder, vou ajudar quem precisar. E como a senhora é uma boa vizinha, atenciosa com todos, foi por isso que decidi fazer este presente para a Camilinha.

Capítulo 7: A Corrida até Casa

Camila ia feliz pela calçada com os seus sapatos novos.

E de repente percebeu uma coisa. Podia andar sem poupar o pé. Podia pular. Podia correr rápido e firme, sem medo de que algo abrisse ou soltasse.

Deu um pulinho. Depois outro. Depois uma volta inteira.

—Lorena! —disse—. Vamos apostar uma corrida. Quem chegar primeiro em casa ganha.

As duas irmãs se posicionaram na esquina, agachadas, muito sérias, como corredoras profissionais.

—Preparar… apontar… já! —deu a largada dona Ana.

Lorena saiu disparada. E Camila, que a amava muito, começou devagar de propósito, decidida a deixá-la ganhar.

Mas aconteceu uma coisa curiosa.

Camila corria devagar, sem pressa, e mesmo assim avançava muitíssimo. Era como se o chão a empurrasse. Como se ela não pesasse nada. Chegou ao portão de casa primeiro, e nem estava cansada.

—Mamãe, mamãe! —gritou, dando pulos—. Estes sapatos são mágicos!

Dona Ana chegou rindo, com Lorena pendurada num braço.

—Mágicos?

—Sim! Eu não os sinto quando corro nem quando ando. Parece que eu vou voando. São levinhos, mãe. Parecem de pluma!

Naquela noite, antes de dormir, Camila deixou os sapatos novos ao lado da cama, bem juntinhos, para vê-los assim que abrisse os olhos. E agradeceu a Deus, como fazia todas as noites.

—Obrigada pela minha mãe —disse baixinho—. Obrigada pela minha irmãzinha. E obrigada pelo seu Carlos.

Desde então ia à escola contentíssima, porque agora ninguém mais poderia zombar dela. Ainda que, para ser justo, ninguém nunca tivesse zombado: o único que a olhava com dureza era aquele juizinho que todos nós carregamos por dentro e que às vezes fala mais alto do que os outros.

Capítulo 8: A Magia se Multiplica

E o melhor ainda não tinha acontecido.

Dois dias depois, seu Carlos bateu à porta da casa com dois pacotes debaixo do braço.

—Vizinha, não me diga que não, porque já estão prontos —disse antes que dona Ana conseguisse falar.

Num pacote havia um par de sapatos vermelhos, pequenininhos, do tamanho exato de Lorena. No outro, um par de sapatos pretos de mulher, confortáveis, daqueles que aguentam ficar de pé o dia inteiro.

—Estes são para a senhora —disse a dona Ana—. Uma mãe que caminha tanto precisa de bons sapatos.

Dona Ana não conseguiu responder nada, porque começou a chorar.

E tinha mais. Seu Carlos havia consertado também os sapatos velhos de Camila. Tinha costurado, não colado: com linha encerada e ponto firme, em toda a volta da sola.

—Estes ficam de reserva —explicou à menina—. E repare bem: costurados assim, nunca mais vão descolar. A cola cansa, minha menina. A linha não.

Camila os pegou com as duas mãos, e então se atreveu a lhe contar o seu segredo.

—Seu Carlos… sabe de uma coisa? Os sapatos que o senhor me fez são mágicos. Sério. Com eles eu corro e não me canso, e nem os sinto nos pés.

O sapateiro ficou bem quietinho por um segundo, e depois riu com uma risada grande e feliz.

—Mas que bom, minha menina! —exclamou, muito espantado—. Olha que eu não sabia. Então vou te dizer uma coisa: os que eu consertei também são mágicos de agora em diante. E os da sua irmãzinha também. E os da sua mãe, com mais razão ainda.

As duas meninas o abraçaram e lhe deram um beijo no rosto.

Depois foram para a escola de mãos dadas com a mãe.

Lá mostraram os sapatos às professoras, às colegas e aos colegas, contando muito sérias que eram mágicos, que agora podiam correr, pular e chegar bem longe.

E todos as olharam com alegria e aplaudiram.

—Estamos muito felizes por vocês! —diziam—. Vocês merecem, por serem meninas tão bem-comportadas e respeitosas.

María abraçou Camila e disse ao seu ouvido:

—Eu sempre soube que coisas boas iam acontecer com você.

Passaram-se os anos.

Camila terminou a escola com as melhores notas da sua turma e depois estudou para ser professora, porque nunca esqueceu uma mestra que uma vez se agachou para ficar da sua altura e lhe disse que um coração ruim é muito mais difícil de consertar do que um sapato roto.

Lorena cresceu e se tornou enfermeira.

Dona Ana usou os seus sapatos pretos até não darem mais e, quando finalmente se romperam, não os jogou fora: guardou-os no armário, embrulhados em papel, porque há coisas que a gente não joga fora.

Seu Carlos continuou trabalhando na sua lojinha com cheiro de couro e de cola, até as mãos falharem. Nunca soube quantos pares de sapatos deu de presente na vida, porque jamais fez a conta. Dizia que fazer a conta tirava a graça.

Muitos anos depois, quando Camila já era a professora Camila e dava aula naquela mesma escola, viu um dia um menino da sua turma que não queria sair para o recreio. Aproximou-se, agachou-se para ficar da altura dele e perguntou o que havia acontecido.

O menino abaixou a cabeça e não respondeu.

Ela olhou para os sapatos dele e entendeu tudo na hora.

Naquela tarde, ao sair, Camila caminhou até a sapataria da esquina —que agora era atendida pelo filho de seu Carlos— e encomendou um par de sapatos sob medida.

Porque a magia, quando é da boa, não se gasta.

Se passa adiante.

A Lição

Esta história nos ensina que:

  1. A pobreza não é uma vergonha: Camila ia às aulas com a mesma roupinha todos os dias, mas limpa, passada e de cabeça erguida. Ninguém vale menos por ter pouco. O valor de uma pessoa não fica pendurado na roupa.

  2. A dignidade se mostra nos detalhes: Os cadernos encapados, a letra uniforme, a mochila costurada à mão. Dona Ana não podia dar luxo, mas ensinou as filhas a cuidar e a valorizar o que tinham, que é uma das maiores lições que existem.

  3. As crianças também cuidam dos pais: Camila viu o rosto da mãe e decidiu consertar sozinha os seus sapatos para não fazê-la se sentir mal. Esse gesto pequenininho foi um ato de amor enorme.

  4. Contar o que nos acontece alivia: Camila queria se esconder na sala. Mas ao contar a verdade à professora, recebeu exatamente as palavras de que precisava ouvir. Calar a vergonha faz ela crescer; falar dela faz ela ficar pequena.

  5. É preciso olhar de verdade para os outros: Seu Carlos não perguntou por curiosidade. Perguntou porque vinha observando havia dias. A bondade começa sempre por aí: por perceber.

  6. Dar sem esperar nada em troca: O sapateiro não cobrou, não pediu agradecimentos e não fez a conta. Ajudou porque um dia o ajudaram, e assim devolveu ao mundo o que o mundo lhe havia emprestado.

  7. A verdadeira magia é o amor das pessoas: Os sapatos não voavam. Eram bons sapatos, feitos à mão e sob medida. Mas para Camila eram mágicos, porque foram feitos com carinho. Quando algo é feito com amor, sempre parece um milagre.

Que a história de Camila nos lembre de que em cada escola há um menino ou uma menina que não quer sair para o recreio por causa de algo que lhe dá vergonha. E que às vezes basta um par de sapatos, ou uma pergunta feita na hora certa, para devolver a essa criança a vontade de correr.

Fim

Todos os Contos